#152. Homem de meia idade com tênis de corrida
Olá,
Tornei-me uma pessoa que jamais imaginei que seria: o homem de meia idade que vai aos lugares calçando tênis de corrida.
O tênis de corrida é brega por definição, até mesmo quando você está correndo. Sempre grande, com visual “ousado”, por vezes em cores chamativas. (O meu tem cores discretas.) E, nos últimos anos, com a mutação da corrida de “esporte universal” em “pretexto para postar no Instagram”, virou também mais um lugar no nosso corpo para marcas anunciarem. O meu par tem o nome do próprio tênis, em letras garrafais e brilhantes, em um dos lados de cada pé. Brega e meio.
No final de 2025, incentivado pelo clima atípico que fazia em Curitiba (Sol, sem chuva, temperatura agradável), passei a andar mais. Para qualquer compromisso num raio de até dois quilômetros, calçava o tênis e ia andando.
O clima cagado de Curitiba nos leva a atitudes vergonhosas, como pedir um carro de aplicativo para se deslocar por um quilômetro, por exemplo. Aberturas raras ao padrão, como essa, têm que ser aproveitadas.
Já em 2026, acho que também contribuiu para consolidar o novo hábito a epifania de me ver como alguém viciado em telas. O vício descortinado gerou uma mudança abrupta e, de repente, passei a aceitar — e até gostar! — de andar 15, 20 minutos para chegar e voltar dos lugares, sem aquela urgência de voltar para a frente de uma tela.
(Ter um trabalho flexível, sem horários, ajuda bastante, não nego.)
A única prova que tenho dessa mudança é o pedômetro embutido no celular, que me esqueço que existe, mas que está ali, monitorando os meus passos (literalmente) desde 2016.
Em 2025, a minha média diária de passos foi de 2.586. Em 2026, ela subiu para 5.117, quase o dobro (+97,9%). É a maior média desde o início do monitoramento.
Entre estar apresentável e andar mais, escolhi andar mais. #
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Um mistério que me aflige é por que todo motorista de aplicativo que anda de BYD não remove o plástico que vem de fábrica das telas. Está escrito no próprio plástico que é para remover. (Embora esteja em inglês e mandarim.) A síndrome de Estocolmo da galera com película de celular é enorme. #
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Confesso que às vezes entro no LinkedIn só para arrumar confusão e causar constrangimento. #
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Troquei os meus óculos.
Expectativa: semblante de homem sério, quase um intelectual.
Realidade: “está parecendo o Harry Potter”, segundo a P. #
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Até a próxima! o/