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16 de Agosto de 2026

#153. Uma ideia genial

Olá,

Resposta a uma pergunta feita no Órbita:

Acho que aprendi o básico para meditar com um aplicativo do iOS chamado Oak, deve ter uns dez anos. Ele oferecia uma meditação “guiada”, entre aspas porque o guia consistia em uma introdução, explicando para focar na respiração, e lembretes intervalados para recuperar esse foco caso a mente deslizasse para assuntos mundanos.

Tentei usar aplicativos de meditação guiada há alguns meses, esses modernos como Headspace, por orientação de uma neurologista. Não curti, não.

O que faço é colocar os fones de ouvido (cancelamento de ruído ativado) com um barulho constante (ruído, oceano) num volume baixo, apenas para se sobrepor aos barulhos do dia a dia, e ligar o cronômetro do celular (que fica em modo avião) para ter uma ideia da duração da prática.

Nesses dez anos, meditar foi algo bastante esporádico, parecido àquela pessoa que promete que voltará à atividade física “na segunda-feira” e treina duas ou três segundas-feiras por ano.

Semana passada passei por uns dias meio angustiado, sem motivo evidente, e me voltei à meditação. Funcionou maravilhosamente bem. Estou tentando manter uma rotina diária (já são cinco dias!) de meditação após o café da manhã, mas sem me cobrar (já falhei em alguns dias).

Ando muito interessado nesse tema, crente — na minha ignorância — de que o budismo talvez tenha desvendado lá atrás os segredos da existência. O efeito da prática para acalmar o coração inquieto é poderoso. Também estou lendo “Ioga”, do Emmanuel Carrère. Além de divertido e de me identificar com o estilo de escrita e (em partes) a natureza dele, tem várias pérolas da ioga e da meditação. Recomendo. Recomendo tudo.

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Tive uma ideia que julguei genial: dois períodos no ano (julho e dezembro e janeiro) em que ficariam proibidas as obras no condomínio, com exceção das emergenciais. Seriam os meses de paz, ou de regeneração, igual ao que os peixes têm para se reproduzirem, exceto pela premissa de ter que gerar uma criança porque, primeiro, é impossível conceber uma a cada seis meses sem recorrer ao adultério e, segundo, tem muito idoso no condomínio e gente já com filhos. Seria difícil seguir essa regra, a dos peixes.

Confidenciei a ideia à P. (sem mencionar a parte dos peixes), que me lembrou de pronto que eu não só já a tinha tido, como a submeti ao grupo do condomínio no WhatsApp, onde ela foi rechaçada por unanimidade.

Vivemos em meio à selvageria.

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Quem já ouvia a voz das montanhas, dos rios e das florestas não precisa de uma teoria sobre isso: toda teoria é um esforço de explicar para cabeças-duras a realidade que eles não enxergam.

— Ailton Krenak, A vida não é útil.

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5 séries que larguei porque a vida é curta demais para perder tempo com coisas chatas:

  • The bear (cozinheiros berrando uns com os outros o tempo todo).
  • Twin Peaks (queda de qualidade vertiginosa na metade da segunda temporada).
  • Stranger things (síndrome de Harry Potter: passou a se levar a sério demais).
  • Os outros (incitação gratuita ao ódio).
  • Justiça 2 (overdose de incitação gratuita ao ódio).

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Contra essa deriva, este ensaio buscou sustentar que a opacidade não é um defeito a ser corrigido, mas uma condição da vida social: é ela que torna possível a responsabilidade, a liberdade e a confiança — essa virtude silenciosa sem a qual nenhuma instituição perdura. Talvez seja esse, repito, o limite a que aludia T.S. Eliot ao advertir que a humanidade não suporta muita realidade: não porque devamos renunciar ao esclarecimento, mas porque, sem zonas de sombra, sem mediações e sem máscaras, a luz da transparência total deixa de iluminar e passa a cegar.

— Hamilton dos Santos, Contra a transparência.

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Atualizei a minha página “now” (o que ando fazendo) ontem, no Café com Site. (Criamos um nome alternativo ao que “Homebrew Website Club Curitiba”. Melhor, né?)

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